Entre palavras que vou apropriando construo uma estrutura fragmentada, e enquanto penso como se contextualizam descubro como se cruzam, sem ordenação prévia, com uma reflexão possível. Vou criando espaços possíveis. Possíveis de errar, possíveis de aproximar, cruzar, possíveis de alterar, voltar, repensar, esperar, repetir, ativar, ver de um lado, ver do outro.

Esta experiência acontece num momento de dar conta de tudo aquilo que tem sido feito até aqui. Quando digo feito, digo pensado, explorado, descoberto, aproximado, esperado, ativado, repensado, e não feito.
Ao observar com atenção os trabalhos que vou desenvolvendo percebo que existe uma constante pesquisa e obsessão pela origem, no sentido da base das coisas, de suporte, de primeira camada ou ainda mais. O que liga tudo isto. O zero, o chão, o início. Sabendo à partida que é simultaneamente um ponto de chegada não fosse todo o processo para chegar aqui. Ou recomeçar aqui. Na forma como não morremos de pé. Vida e morte como limites, mais próximos do que nos parece. Ou poeticamente próximos. Numa forma circular, em que vamos incluindo o conhecido e excluímos, ainda, o outro.

Um problema de arquivo, acumulação, memória. E acaso.